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domingo, 29 de setembro de 2013

Água na boca



Vens de encontro... encanta-me água na boca
Sorve-me, acúmulo de mel... tire a minha roupa
Latejo por dentro e fora... suga-me a flor agora
Não deixe-me escorrer em cio só e assim louca 

Sóis que ardem minha pele e tecem meus cetins
Tu és a chama que crava-me, és viril dos jardins
Alastra-me ao corpo seu, estou pétalas e brasas
Deleite em minha ardência, cala-me em suas asas

Vamos aos saboeios ao degustar de rosas seios
Sinta as lavas do meu vulcão gritos e devaneios
Estou alagada em lágrimas íntimas em meus rios
Nade em mim, mergulhe em mim, meus calafrios

Vens de encontro... encanta-me água na boca
Sorve-me, acúmulo de mel... tire a minha roupa


Dueto em Nuances



   Então sorve... meus fecundos desejos *
E calo-te os lábios, rasgo-te os beijos
Faço-te, entre as muralhas e adentro
Pétalas adocicadas,  como-te alimento
 

     E como flor... mel de boca em cio sabor **
Ofereço-te da minha seiva em fina flor
Delírios fecundos em relvas de amores
 Pássaros tenores... nuances de cores

Desço-te contornos e enlouqueço-te *
Deslizo-te alva de pele, estremeço-te
Invadindo seu íntimo, sumo de absinto 
Apreciar-te, bela arte, aberta consinto


       Sol que se finda em sublime arrebol  **
O céu é o manto... natureza o lençol
Em relva, sais sorvidos finos cristais
Desenhadas em pele... suas digitais

     Ao amanhecer-te,  úmidos entrelaçares *
Fartas coxas coladas, nos delineares 
Mas, ainda sinto-me o vingo abrupto
Faço-te novamente e não interrupto

     E em dueto de corpos cios entrelaces **
Compõe-me tua rosa rubor de face
Unge meu corpo aroma de flores...
Sorve meu licor... em anis sabores

*Paulo  e  Katia**

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Agradeço ao poeta Paulo (Alma do Poeta Azul) a honra de participar comigo deste dueto!!! Tua gentileza  é comovente e me sinto abraçada diante de tanta generosidade !!!


Inesquecível tarde...



Os minutos se arrastam...
Encrustado em minha pele o desejo
Minha boca entreaberta e molhada
Anseia pelo teu beijo...
As lembranças daquelas tardes
Do cantorio dos pássaros em alardes
Tomam-me por inteira... me invadem
Fecundaste meu corpo
Segurando-me em palmas
Corpos entrelaçados
Atadas nossas almas
Pintaste o meu céu
Em cores de aquarela
Pássaro bem-te-vi entoando
A canção mais bela
Inesquecível tarde foi a última... aquela !!!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Ao cair da tarde...




E a tarde com teu manto,
se pôs silenciosa no horizonte...
Sem som, sem alarde,
sem nenhum acorde,
se escondeu lá atrás do monte.
E somente ela sabia
o quanto de vazio lhe cabia.
E somente ela sabia
o quanto a saudade invadia
e o quanto  o silêncio doía.

E a tarde com teu manto,
se pôs silenciosa no horizonte...

Sem voos... sem sonhos...




Perderam-se no ar as palavras de amor...
Sem forças esvaíram-se em lágrimas...
Sufocadas frases que nem foram ditas...
Não houve tempo para o amor e o amar...
Vilã das minhas próprias fraquezas...
Dos medos e das tantas incertezas...
Cortei os sonhos... minhas próprias asas
Hoje já não posso sonhar...
Hoje já não posso voar...
No adeus de um anjo tão amado
Toda tristeza no olhar estampada !!!

Perderam-se no ar as palavras de amor...
Sem forças esvaíram-se em lágrimas...

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Janela da Alma


E pela janela de minh'alma
Eu vi a dor escorrendo...
Eu vi a lágrima morrendo
Em lábios calados... sem fala

E pela janela de minh'alma
Eu vi o deserto lá fora...
Senti o ferimento na palma
A angústia da sede que aflora

E pela janela de minh'alma
Eu senti a dor me tomando
Senti que nada me acalma
Senti as pedras pesando...

E pela janela de minh'alma
Respeitei o silêncio que havia
Senti a lágrima que escorria
Enquanto por dentro eu morria

Estilhaços...




Lacrimejam as almas em sarjetas de becos
Ao meio fio... envoltas em lamaçais secos
Na calada noite, orvalhadas lágrimas escoam
No silêncio das horas, choros e lamentos ecoam

Sangram as feridas sobre estilhaçados cristais
Trincaram-se as paredes, fecharam-se os portais
Ruíram-se os sonhos, do castelo apenas as pedras
Desatados os nós vagueiam almas sem cátedras

Pássaros negros vagueiam pela noite escura
Entoam cantos, a espreita da morte obscura
Pelo chão flores secas sem perfumes e cores
Nos estilhaços almas que lacrimejam em dores

Ao meio fio... envoltas em lamaçais secos
Lacrimejam as almas em sarjetas de becos